Autoaceitar-se não é encontrar um lugar confortável.
É parar de fugir de si.
Existe uma narrativa vendida por aí que diz que a autoaceitação traz leveza imediata, autoestima constante, dias mais fáceis. Na realidade, aceitar quem somos costuma ser um processo silencioso, interno e, muitas vezes, desconfortável.
Aceitar-se é olhar para partes que evitamos — o corpo que nem sempre corresponde ao ideal, o desejo que não se encaixa, a sensibilidade que foi reprimida por anos. É admitir que nem tudo em nós é simples, bonito ou organizado. E ainda assim permanecer.
Para muitos homens, o maior desafio não é mudar, mas parar de se abandonar.
Parar de se esconder atrás de versões mais aceitas socialmente.
Parar de negar o que sente para continuar pertencendo.
Autoaceitação não é se amar o tempo todo.
É não se trair para ser aceito.
