Acordei de repente, como se o corpo tivesse decidido por mim. Duro. Suado. O pau latejando contra o lençol, a cabeça cheia de pensamentos que não desligam nem no sono. Não tem alarme, não tem luz do dia, só o silêncio da casa e o coração batendo forte no peito. É sempre assim nessas horas: 3h, 4h, 5h… o horário em que o mundo dorme e a gente fica acordado com o que não resolveu.
A mão vai sozinha. Nem penso direito. Pego o pau já duro, quente, e começo devagar, sentindo cada veia pulsar. Fecho os olhos e deixo a mente vagar: um rosto que não vejo há tempos, um toque que nunca aconteceu de verdade, uma voz sussurrando coisas que ninguém diz no claro do dia. O ritmo acelera.
A respiração fica curta. Gemido baixo, abafado no travesseiro, pra não acordar ninguém — nem a família no quarto ao lado, nem a versão de mim que finge estar tudo bem de manhã
Gozo rápido, forte. O corpo arqueia, os músculos tremem, o esperma quente escorre na barriga, na mão, no lençol. Por uns segundos, é alívio puro. Como se todo o peso do dia anterior, da semana, do ano, saísse junto com o gozo. Mas aí vem o depois. Sempre vem.
Fico ali, deitado, olhando pro escuro do teto.
O pau amolece devagar, o suor esfria na pele, e o silêncio volta — mas agora mais pesado. O peso do dia que ainda nem começou já tá ali, me esmagando. As contas pra pagar, o trabalho que suga a alma, as mensagens não respondidas, o vazio que não explica.
Nesses momentos pós-gozo, a máscara cai. A gente não mente pra si mesmo.
Essas punhetas solitárias da madrugada são o nosso confessionário. Nelas a gente admite o que não diz pra ninguém: Que tá cansado pra caralho de carregar o mundo nas costas. Que quer mais do que só gozar e dormir. Que sente falta de ser desejado de verdade — não só pelo corpo, pelo pau duro, mas pelo homem inteiro, com suas falhas, suas dores, seus silêncios.
Quer um toque que não acabe quando o tesão passa. Uma mão que fique na nuca depois, um corpo que se encaixe no escuro sem precisar de palavras.
A gente sabe que amanhã vai levantar, tomar café, sorrir pros outros, fingir que tá tudo sob controle. Mas nessas horas, sozinho com o pau na mão e o coração aberto, a verdade escorre junto com o gozo: Somos homens que sentem demais. Desejam demais. E guardam tudo isso no peito porque o mundo não entende.
Limpo a bagunça com um lenço velho, viro pro lado, tento dormir de novo. Mas o corpo sabe. A alma sabe. E amanhã, quando o sol nascer, eu vou ser o mesmo homem forte por fora. Mas aqui, nesse espaço, a gente não precisa fingir.
— Homem Que Sente
