Corpo e desejo também falam.
Nem sempre em palavras.
Às vezes em tensão.
Em silêncio.
Em impulso contido.
O corpo guarda histórias que a mente tenta esquecer.
Marcas de experiências.
De ausências.
De encontros que deixaram rastro.
O desejo não é apenas vontade.
É memória em movimento.
É o que insiste quando algo dentro pede vida.
Aprendemos cedo a controlar o corpo.
A disciplinar o desejo.
A fingir neutralidade.
Mas o corpo sente antes de explicar.
E o desejo aponta caminhos que a razão evita.
Escutar o corpo não é perder o controle.
É recuperar presença.
Reconhecer o desejo não é fraqueza.
É honestidade.
Porque o corpo não mente.
Ele fala.
O tempo todo.
Cabe a nós decidir se estamos dispostos a ouvir.
