O Slack piscava. O café esfriava. E o pau, traidor, batia no zíper como se o escritório fosse motel.
Eu entrei no banheiro do fundo — o de sempre, o que quase ninguém usa depois do almoço. Tranca. Espelho. Respiração curta. Tirei só o necessário.
Na terceira beira, quase entreguei. Segurei a base. Contei até oito. A vontade bateu atrás dos olhos. Respirei. Guardei. Lavei a mão como quem lava um crime pequeno.
Na call, a câmera desligada. Eu acenei com a voz firme. Por baixo da mesa, o pau ainda latejava — lembrando que o corpo não pede permissão ao calendário.
À noite eu terminei o que comecei no azulejo frio. Mas o melhor não foi o gozo. Foi aquela meia hora roubada: eu inteiro, trancado, sentindo, sem precisar explicar pra ninguém.
Desejo também trabalha em horário comercial.
A mão veio quente, seca no começo, depois cuspida, ritmo de quem conhece o próprio gatilho.Não era pra gozar. Era pra chegar perto e parar. Edging de corredor: dez segundos de fogo, cinco de ar. De novo. De novo. A cabeça esquentando, as coxas tremendo, o telefone vibrando no bolso com “você entra na call?”.
Eu olhei pro próprio reflexo e quase ri. Homem de camisa social, mão no pau, ouvindo notificação de reunião como se fosse música de fundo de putaria barata. Tesão sem plateia. Tesão com vergonha gostosa.
