Existe um tipo de homem que percebe cedo demais.
Percebe o clima do ambiente, o tom das palavras, o peso dos olhares. Sente o outro antes de pensar em si.
Esses homens crescem ouvindo que são sensíveis demais.
Que precisam engrossar a pele.
Que o mundo não vai se adaptar a eles.
Então aprendem a se esconder.
Esconder emoção, reação, desejo, fragilidade.
Esconder até alegria, porque alegria também expõe.
Ser sensível num mundo que exige dureza é cansativo.
E muitos confundem adaptação com maturidade.
Mas se esconder tem custo.
O homem que se esconde perde referência de quem é quando ninguém está olhando. Ele vive em alerta, ajustando-se, diminuindo-se, editando-se.
Aos poucos, começa a achar que o problema é sentir.
Quando, na verdade, o problema sempre foi não ter onde sentir.
Esses homens raramente explodem.
Eles implodem.
Virar silêncio.
Virar distanciamento.
Virar corpo presente e alma ausente.
Sensibilidade não é fraqueza.
É percepção ampliada.
Mas sem acolhimento, vira sobrecarga.
Talvez não seja preciso se esconder.
Talvez seja preciso escolher melhor onde existir inteiro.
Aqui, sentir não é excesso.
É linguagem.
