A mensagem chegou às 2h17, no fio da madrugada em que a gente mente que “só ia dormir”.
ainda acordado?
Três palavras. Sem emoji. Sem contexto. Vinham de um perfil que eu seguia fazia meses — fotos de academia, sombra de barba, um story raro de livro aberto. Nunca tínhamos falado além de um “bom dia” perdido em comentário. Eu olhei o teto. Digitei. Apaguei. Digitei de novo.
tô. você?
A resposta veio rápido demais pra ser casual.
não conseguia parar de pensar numa coisa. melhor não falar.
Eu sentei na cama. O pau já despertava só com a ambiguidade — esse tipo de quase que dói gostoso.
fala.
Ele mandou um áudio de oito segundos. A voz era mais grave do que eu inventava. Baixa, um pouco rouca, como quem fala deitado.
— Eu abri seu perfil de novo. A foto da praia. E eu… porra. Tô duro desde antes de te chamar.
O corpo respondeu antes da moral. Eu mandei um áudio de volta, a mão já dentro da cueca, a voz falhando no meio:
— Então não para. Me conta o que você faria.
A conversa virou confissão molhada. Ele descrevia a boca na minha barriga, o cheiro, o jeito que queria me ver ajoelhado. Eu gemia baixo no microfone sem conseguir fingir compostura. Por quase uma hora a gente só se ouviu — pausas, respiração, o “espera” que não era pra parar, era pra não acabar. Gozei na própria mão ouvindo ele gozar do outro lado — dois estranhos sincronizados por fones baratos e desejo antigo.
No dia seguinte, eu achei que ia dar gelo. É o protocolo: desejo de madrugada vira vergonha de manhã. Ele mandou às 11h:
café. hoje. se você aguentar me ver sem a tela.
O café foi um desastre educado. Eu cheguei cedo demais. Ele chegou com a camisa bem passada demais. A gente riu de trabalho, de série, de trânsito — evitou a madrugada como quem evita falar de um morto. Mas sob a mesa o joelho dele encostou no meu e ficou. Quando eu puxei a perna, ele acompanhou. Quando a conta veio, as mãos se tocaram no cartão e nenhum dos dois soltou na hora.
— Meu carro tá ali — disse. — Ou a gente se despede como adultos… ou você entra.
Eu entrei. No banco do carona, o beijo foi urgência acumulada — dente, língua, mão no pau por cima da calça, o gemido dele engasgado quando eu apertei. Ele dirigiu até um estacionamento pouco iluminado atrás do shopping, mão na minha coxa o caminho inteiro, o polegar fazendo círculo no jeans como se ainda estivesse na madrugada.
Ali, com o cinto atravessado no peito e o mundo lá fora, eu chupei ele até a mandíbula doer. O gosto de pré-porra, o gemido engolido, a mão dele tremendo no volante. Quando ele me puxou pra cima, eu sentei no colo dele com a calça pela metade, a bunda apertando o pau duro entre nós, rebolando só de cueca até os dois estarmos idiotas de tesão. Quase gozamos ali. Quase.
— Casa — ele pediu, a voz quebrada. — Quero te ouvir sem medo de segurança.
O apartamento dele cheirava a sabonete bom e solidão organizada. Na sala, a gente ainda tentou conversar — meia frase sobre vinho, outra sobre a janela. Não aguentou. Na cama, o sexo foi mais lento do que a madrugada prometia: ele me abriu com a língua até eu implorar, entrou devagar, me fodeu fundo olhando no olho, parou quando eu pedi pra não gozar ainda, recomeçou. Eu gozei primeiro, apertando nele, visão branca. Ele gozou depois, gemendo meu nome — o nome de verdade, não o do perfil — e isso me quebrou mais que o orgasmo.
De manhã, o medo clássico bateu: e se foi só porra? Eu já ensaiava a saída educada quando ele pôs café na minha frente, cabelo bagunçado, marca da minha boca no pescoço, e perguntou:
— 2h17 de novo… ou a gente tenta de dia também?
Eu sorri, ainda dolorido, ainda quente.
— De dia. E de noite. E quando o peito apertar sem motivo.
Ele beijou minha testa — gesto íntimo demais pra uma noite só — e pela primeira vez em muito tempo eu não quis fugir do depois. No elevador do prédio dele, descendo, eu abri o celular e salvei o contato com o nome real. Apaguei o “quase”. Deixei o “ainda”.
