Nem todo afastamento é desinteresse.
Às vezes é defesa.
Existem homens que desejam profundamente, mas recuam quando o contato se aproxima. O corpo quer, mas a mente levanta muros. Não por falta de vontade — mas por medo do que vem depois.
O desejo expõe.
E ser visto intimamente assusta.
Para muitos homens, intimidade não foi segurança.
Foi cobrança, invasão, expectativa.
Então o corpo aprende a desejar, mas não a permanecer.
Isso cria um conflito silencioso:
culpa por afastar
vergonha por querer
confusão por não conseguir sustentar o encontro
Chamam isso de frieza.
Mas muitas vezes é autoproteção.
O corpo lembra do prazer.
A mente lembra do risco.
Enquanto ninguém fala disso, muitos homens acreditam que estão quebrados.
Quando, na verdade, estão tentando não se ferir de novo.
Talvez a pergunta não seja “por que eu me afasto?”
Mas “onde aprendi que ficar era perigoso?”
Aqui, o desejo não precisa se explicar.
Ele só precisa ser escutado.
