Homens que sentem demais aprendem cedo a se esconder
Sentir demais nunca foi o problema. O problema foi não ter onde existir inteiro.

Existe um tipo de homem que percebe cedo demais.
Percebe o clima do ambiente, o tom da briga, o silêncio da mãe, o recuo do pai. Cresce ouvindo que é sensível demais. Que precisa engrossar a pele. Que o mundo não vai se adaptar a ele.
Então aprende a se esconder.
Esconder emoção, reação, desejo, fragilidade. Esconder até a alegria, porque alegria também expõe.
Ser sensível num mundo que exige dureza é cansativo. E muitos confundem adaptação com maturidade.
Mas se esconder tem custo. O homem que se esconde perde referência de quem é quando ninguém está olhando. Vive em alerta, ajustando-se, diminuindo-se, editando-se.
Aos poucos, começa a achar que o problema é sentir. Quando, na verdade, o problema sempre foi não ter onde sentir.
A pele engrossa. A voz fica prática. Os amigos conhecem a versão que funciona em público. E no quarto, sozinho, sobra um volume de mundo que não cabe em nenhuma conversa segura.
Não é falta de caráter. É falta de lugar. Um homem inteiro precisa de um espaço onde a percepção não seja punida — onde notar demais deixe de ser defeito e volte a ser inteligência afetiva.
Este espaço existe para isso. Não para explicar o que é ser homem. Para permitir que o homem que sente demais possa, finalmente, ficar.