Menu

Sentir também é um ato de coragem.

Arder · 11 set 2026 · 2 min

Madrugada: a casa dorme e o desejo não

Quando o corpo acorda sozinho e pede presença — não distração.

Lençóis amassados na luz baixa da madrugada, cama vazia

Acordei de repente, como se o corpo tivesse decidido por mim. A casa inteira dormia. Eu, não.

Tem uma hora da madrugada em que o desejo deixa de ser recado e vira evidência. Não é necessariamente pressa. É o corpo lembrando que ainda está vivo, enquanto o dia inteiro pediu para ele funcionar como máquina.

Muitos homens conhecem essa hora e a tratam como vergonha, como vício, como coisa para esconder no histórico. Poucos tratam como o que também é: solidão com o corpo ligado.

O quarto fica grande. O teto fica perto. A cabeça oferece atalho — qualquer imagem, qualquer tela, qualquer fuga rápida. O corpo, se você deixar, pede outra coisa: tempo. Pele. Atenção sem plateia.

Desejo de madrugada não é falha moral. É informação. Diz da fome de contato, da falta de quem fique, da excitação que o dia não soube receber.

Dá para atravessar essa hora se destruindo. Dá para atravessar ela presente — sentindo o que o corpo pede sem transformar isso em sentença sobre quem você é.

Aqui o prazer tem lugar. Não como espetáculo. Como parte de um homem que também sente fome, medo e vontade de ser tocado de verdade.

Se a casa dorme e você não, talvez o que falte não seja mais estímulo. Talvez falte alguém — inclusive você — disposto a ficar até o corpo baixar o volume.