Quando o corpo falhou e a cabeça decretou sentença
Ansiedade de desempenho sem folder de clínica. Só o silêncio depois.

Ele estava ali. Quente. Pronto. A gente já tinha se beijado o suficiente para o corpo entender o recado. E então alguma coisa não acompanhou o roteiro.
O corpo falhou. A cabeça decretou sentença.
Não é um folder de clínica. É o segundo em que o homem sai de dentro de si e passa a se assistir. Mede. Compara. Antecipa o julgamento. Tenta forçar o que só viria se ele ficasse.
Ansiedade de desempenho adora o palco. Transforma pele em prova, prazer em meta, o outro em banca examinadora. E quanto mais você tenta “resolver”, mais o corpo entende que está em perigo — e desliga para te proteger.
A sentença costuma ser cruel e rápida: eu não funciono. Eu decepcionei. Eu sou menos. Nenhuma dessas frases é anatomia. São histórias antigas, vestidas de urgência.
O que quase nunca entra na conversa: o corpo também falha de cansaço, de medo, de tesão misturado com vergonha, de ter passado o dia inteiro sendo útil. Falha de ter sido cobrado demais — inclusive por você.
Ficar, depois, é o contrário da sentença. Respirar. Dizer a verdade pequena. Tocar sem cobrar resultado. Deixar o orgulho descer do palco.
Desejo não é máquina. Presença não é ereção. E um homem que sente não precisa transformar uma noite em veredito sobre o resto da vida.