Silêncio também é linguagem
Nem todo silêncio é vazio. Alguns são excesso.

Nem todo silêncio é vazio. Alguns são excesso.
Há silêncios que descansam, e há silêncios que sufocam. Muitos homens aprendem desde cedo que sentir demais é perigoso, que falar é se expor, que calar é se proteger.
Mas o que não é dito não desaparece. Apenas se acumula.
O silêncio pode ser abrigo, mas também pode virar isolamento. Saber diferenciar um do outro exige escuta interna — algo raro num mundo que valoriza controle, desempenho e força visível.
Talvez falar não seja o oposto de ser forte. Talvez seja uma forma mais honesta de existir.
Tem silêncio de quem está com o outro e não precisa encher a sala. Tem silêncio de quem já saiu da conversa há muito tempo e só deixou o corpo no sofá.
Os dois se parecem de longe. De perto, o corpo conta: o maxilar, a respiração, a forma como a mão não encontra lugar.
Aprender a ler o próprio silêncio é o começo de qualquer intimidade — consigo, e com quem estiver do lado.